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Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

27 de nov de 2008

Chega de saudade...


Eis mais um pensamento da série “Minha vidinha démodé”.

Como diria Fabricio, mais mexicano impossível.

Bastava um sinal para saber que os dias melhores estavam por vir.

E cada casal tem o seu.

O nosso, ah...eram os mais discretos possíveis.

Quando você batucava algo na mesa, rodeado de nossos amigos, ali estava a sua vontade de ir embora explícita para mim. E quando você deixava a janela aberta do quarto, ali estava o seu bom humor. Você nunca foi de escrever um texto em sms, scrap ou e-mail para mim com o mesmo cuidado que os seus da coluna no jornal. Todos eram sucintos.
E quando escrevia, ali estava registrado para mim o seu esforço em agradar e ser comum como os demais.

Você gostava em telefonar. Não tinha hora para isso acontecer. Mesmo ocupada, eu atendia com aquela voz calma e cheia de felicidade.
Acho que você nunca percebeu como os seus sinais eram tão especiais para mim.

Mas naquela época eu também não enxergava desse modo. Achava bacaninha e legal. Apenas isso.

Hoje, faz uma falta danada.

Um “cadinho” daqueles sinais hoje seria de bom tom.

Mas a correnteza do tempo te levou para o outro lado da minha direção.

Tentei te encontrar atrás daqueles livros, através das notas daquele piano ou pela internet.

Mas não foi em lugares óbvios nossos que você estava. Afinal, a vida para você não é mais a mesma, então pq continuar a freqüentar nossas recordações¿

Você fez o mais correto. Abriu mão da solidão e abraçou o novo dia.

Eu que fiquei trancada naquele vazio que eu construí.

Mas daqui fico a perguntar: “Pq foi tão fácil para você pegar carona com a felicidade¿”

Aquele cartão de Natal com frases tão nossas, aquela almofada de 1985 que adorávamos deitar, aquele leite gelado com muito açúcar que só você sabia preparar, aquele abajour improvisado, aquele caderno do Jornal que você separava pq sabia que eu adorara em ser a primeira a ler ou aquela flor sem embrulho que você me deu não te fazem falta¿

Pelo que noto a resposta é não. Ou você disfarça também.

Mas eu que te conheço (aquele lado que conviveu comigo) sei que não é disfarce. Você superou tudo isso sem problemas.

Pq para você a vida é assim: amar quem te faz melhor e feliz.

E isso, eu não fiz por e para você há muito tempo. Mas não esqueci.

A minha vida é como uma timeline com muitos cortes secos e com fusões. Efeitos, trilha sonora e mídias offlines.

Você agora é como uma foto antiga: em tempos em tempos é bom ver e rever, mas não querer vivê-la.

Lá no fundo das melhores lembranças estão guardados cada amor que tive nessa vida. Deixando espaço livre para os novos que estão por vir.
Novos sinais...
P.S.: "Minha vidinha démodé" é uma série que teve origem em uma madrugada longa durante um domingo. Traços, retratos e expressões que vi e vivi nesses anos todos (sim, sou velha). Não queira encontrar personagens reais pq todos estão misturados.

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Páraaaaa!!!

    Segunda ve que me faz chorar em menos de dez minutos!!! rs

    Te amo!

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  3. Desliga do trabalho!!!
    Timeline nãooooooooooooooooooooooo!!!


    Saudades são sinais de um tempo feliz!

    bejo

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