Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

19 de nov de 2008

Mudam e Permanecem!

Quem não conseguiu deixar recado aqui (agradeço os scraps no Orkut) eu acho que consegui liberar a restrição aqui (antes só podia comentar pessoas cadastradas no site).


A lembrança da minha infância tem aroma. Para compartilhar com você eis a receita: bolo de cenoura, limonada e dias de visita da madrinha, o tão gostoso bolinho de chuva.

Sempre tive medo de passar dos 10 anos de idade. Eu sempre soube que era feliz antes daquela idade. Era um Universo mágico (tirando a idéia em acordar cedo). Tantas pessoas importantes compartilharam este período e hoje não estão mais aqui (vô Agenor sempre falando dos meus cabelos cacheados, fumo de corda e ouvindo aquele som sertanejo perto da janela, da vó Vieira com aquele ar de despreocupação, do vô Sebastião com seu jeito imponente em pedir silêncio na hora do Jornal Nacional, do vô Antônio cochilando no sofá e do vô Joaquim que pouco convivi, mas lembro bem dele sentadinho na poltrona). Antes que você pense ou diga algo adianto: aqui está justificado, pelo número de vovôs que tenho - tudo em excesso me faz bem. Incluindo açúcar e amor.

Nesse tempo, morávamos na casa que um dia será minha novamente, um sobrado que dava asas a minha imaginação. Nunca fui de brincar na rua, as minhas idéias surgiam dentro de casa e era ali que fazia acontecer.

Nesse tempo de alegria, não estive imune (meus anticorpos nessa época estavam offline acho) a certas coisas da vida:





tive bronquite até meus doze anos, com direito a inalador em casa para qualquer estado de emergência, tive uma micose cruel nos 2 pés em minha viagem ao Norte do país (aos 7 anos de idade, de lá pra cá, depois que o médico diagnosticou que a micose supostamente teve origem por andar descalça nas ruas nunca mais consegui sair de casa de chinelo, só tênis. Você não terá a imagem minha comprando sandálias, um trauma ridículo). Tive caxumba, íngua, rinite e catapora. De todos esses inquilinos amáveis, apenas a rinite carrego comigo nos dias de hoje. Mas mamãe conseguiu não permitir que tivesse rubéola, sarampo, furúnculo e outras coisinhas desagradáveis.



Mas nada disso tirava minha vontade de brincar. Se deixasse, brincava o dia inteiro. E adorava brincar sozinha. Lilian deixou de brincar muito cedo e mergulhou no universo da música erudita, uma menina precoce. Gui até acompanhava as brincadeiras, mas logo queria jogar vídeo game. Tinha a Aline, filha de uma amiga da família (hoje pelo que sei está casada) que passava em casa para brincar comigo. Certos dias, ela faltava na missão de brincar e era aí que eu botava minha imaginação fértil para funcionar.





Colocava as bonecas enfileiradas na cama e dava ordens, como uma professora rígida. Chegava a gritar com as bonecas, minha mãe subia correndo a escada para ver se tinha acontecido algo e ao abrir a porta do quarto, deparava comigo e várias bonecas enfileiradas. Confesso que não sei qual a pior visão: um bandido no meu quarto ou uma filha insana. Nunca falamos sobre isso para evitar constrangimentos.



Não é nostalgia mas eu sempre gostei de brinquedos não muito populares (com exceção da Barbie). Sim, tive umas 10. Cuidava de cada uma com muito amor. Até o cabelo delas eu cortava.





Gostava do Jogo da Vida, do resta um, do lego genérico e do cara-maluca. Mas nenhum deles foi tão importante em minha vida como o FEIJÃOZINHO.



Sim, este é o nome original do boneco da Lilian, e fica registrado aqui que sempre tive apreço por nomes exóticos.



A foto é da internet e não do meu. Como escrevo este post na madrugada de quarta para quinta-feira, não tenho como procurar nas fotos antigas no quarto da minha mãe para mostrar à vc. Mas prometo que amanhã farei isso com o maior prazer.



E na solidão da brincadeira, o imaginário para mim era mais que real. Não havia desligamento nisso. E por falar em adaptação e invenção que surgiu a idéia do pensamento de hoje.



Nunca gostei das bonecas que pareciam bebês, ainda mais aquelas (sim, sou da década de 80 jovens!) que tinham buraquinhos nas costas que quando você virava a boneca de cabeça para baixo ela emitia um som (para mim) medonho. Não fazia sentido, por isso não gostava delas. Elas abortavam qualquer roteiro meu com sua falta de originalidade e olhos piscantes.



E quando eu, em um dos meus roteiros infantis dei falta de um namorado para as minhas 10 Barbie´s, meu pai teve que entrar em ação. Nunca soube pq não ganhei o Ken (o famoso namorado da Barbie, já estão comemorando Bodas de sei-lá-o-quê de anos de casamento).





A única lembrança que tenho é que meu pai fez do FEIJÃOZINHO o protagonista das minhas histórias de romance.



Um substituto para Ken precisava ter o porte físico, aquele cabelo imóvel porém bonito e um figurino impecável. FEIJÃOZINHO, como vcs podem observar na foto, passa longe de qualquer requisito desses. Um boneco fofucho, de pano, recheado por bolinhas de isopor, um sorriso malandro e um cabelo digamos, no mínimo estranho.






Não sei qual foi o argumento do meu pai que tenha convencido que aquele seria um belo par para as 10 Barbie´s. A única coisa que sei é que foi amor a primeira vista.



E o cabelo do FEIJÃOZINHO era muito brega para elas. Eu e meu pai decidimos dar um look novo. Raspamos e aderimos ao lema “dos carecas que elas gostam mais”. Elas (as bonecas) aprovaram o visual novo do gordinho de pano as não por muito tempo.





Certo dia, pedi para meu pai que devolvesse os cabelos do FEIJÃOZINHO como antes. Nesse momento, mídias offlines em minhas lembranças que dão um pulo à cena 3:
Meu pai, com toda a calma do mundo, cortou a cabeça do FEIJÃOZINHO da mesma forma que cortava laranja para mim: a parte de baixo maior e a de cima menor – a famosa tampinha. Mas não conseguiu fazer o implante capilar e ficou assim mesmo.



Ao contrário do que meu pai pensou, eu tive um carinho imenso por esse boneco que teve 10 mulheres e uma cirurgia mal-sucedida.






Ahá! Se tivermos que datar minha fascinação por caras exóticos aí está à chave.






No fim, não sei que fim levou o FEIJÃOZINHO, mas com certeza ele é parte de um momento meu que guardo com carinho. Tempo que ter menos que 10 anos era ter responsabilidades e problemas gigantes dignos de um dramalhão infantil. E o "olhar" sobre o diferente como algo único e exclusivo. Acredito que esse sentimento carrego até hoje na escolha de muitas coisas.

Seguindo pensamentos do lindo Chico Buarque:

“Agora eu era o herói


E o meu cavalo só falava inglês
...
E pela minha lei


A gente era obrigado a ser feliz
...
Eu era o seu pião


O seu bicho preferido


Vem, me dê a mão


A gente agora já não tinha medo


No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
...
Agora era fatal


Que o faz-de-conta terminasse assim


Pra lá deste quintal


Era uma noite que não tem mais fim


Pois você sumiu no mundo sem me avisar


E agora eu era um louco a perguntar


O que é que a vida vai fazer de mim?”

2 comentários:

  1. Texto longo detect!


    dos 10 anos lembro pouco, mas lembro de querer brincar sozinho, de escrever carta pra porta da esperança e de atacar ovo no varal do vizinho!

    UHUUUUUUUUUUUUUUUU!

    sardades

    ResponderExcluir
  2. Nossa...parece a descrição da minha infância...incríveis as semelhanças...hehehehe....brincar sozinha, tampinha de laranja, dar aulas pra bonecas...será que por isso ficamos assim e nos damos tão bem!???? huahauhuahaua


    Bjos!
    Fe

    ResponderExcluir