Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

27 de nov de 2008

Sem título.

Sedução é o que me falta.
Queria ser assim para você.
Mas acho que o pouco que te conquistei foi pela gaguice estranha ou meu cabelo bagunçado. Eu não estava no dia “mulherzinha” quando me conheceu. Estava o bagaço.
Tanta mulher tipo “capa de revista” te rodeia e lá estou à sombra da minha insegurança.
Também não tenho uma voz suave e serena.
Minha voz é grave e 5 vezes ao mês, rouca.
Meu cabelo não é cacheado e nem liso.
Tem mais ondas que Floripa.
Minha cor na certidão de nascimento é branca, mas se eu fosse hoje lá, eles mudariam o status.
Não tenho unhas compridas, mas as minhas são curtinhas e bem cuidadas.
Não tenho uma bolsa daquelas famosas da 25 de março (Betty Boop, Hello Kitty, Louis Vuitton ou Vitor Hugo), oscilo entre mochila e uma velha creme Adidas (comprada em uma Outlet).
Não uso salto alto nos dias normais, apenas em dias de festa.
Tenho pavor de pés. Não reparo nisso nos homens.
Não gosto das minhas pernas.
Sou míope que uso óculos e lentes de contato (quando a preguiça não aparece).
Não vou ao oftalmo há mais de 4 anos.
Eu mesmo faço minhas receitas médicas infalíveis.
Maquiagem para esconder a cara de sono, 3 vezes por semana.
Não uso filtro solar diariamente (não lembro).
Minha amiga Mari e meu amigo Julian gostam dos meus caninos (sim, isso é estranho).
Confesso que também aprendi a gostar deles. Assim como também aprecio meu sorriso malandro.
Falo rápido, não sei dirigir, canto em casa quando não tem ninguém, sonhei em ser professora e bailarina, gosto de artesanato, prefiro espanhol a falar inglês, não decoro nome de pessoas e telefones, troco o mês dos aniversários, nunca quis ter um passarinho na gaiola ou um papagaio, já quis ter aqueles pintinhos pintados de rosa que vendiam na feira de sexta, já quis quebrar o pé ou o braço quando pequena (e recentemente), adorava misturar as massinhas e tudo ficar com aquela cor roxo-marrom-coco, já quis ter cabelo comprido, já quis ser casada com tantos artistas, já chorei por não ter uma foto minha no Orkut de alguém (nossa, quanta estupidez, ainda bem que isso passa), nunca usei algumas teorias de matemática conforme prometeram, não sei passar cola (eu até passo, mas não sou discreta), tenho medo de panela de pressão (jamais terei uma em casa), já quis ser paquita, gostava mais da Angélica do que da Xuxa (hoje, tanto faz, não acompanho mais a vida delas), já quis beijar Chico Buarque, já quis morar em Israel (opa, esse sonho ainda existe), já quis morar lá na Marechal Deodoro (onde minha mãe trabalhou por muitos anos) só para ficar perto dos judeus, já quis aprender hebraico, já quis ser da turma do fundão (a miopia sempre me deixou sentar no máximo no meio, encostada na parede), já quis ter um Fusca (mesmo não sabendo e nem querendo dirigir), já tomei café e comi tomate só por ter vergonha em dizer que não gosto, já quis ter um cachimbo, já quis ter uma gaita (ganhei em um amigo secreto, nunca usei), nunca quis ir para a Disney e nem no Parque da Mônica (apesar de colecionar gibis do Cebolinha e amar o Pateta), já fiquei com a metade da cabeça raspada (máquina zero, estilo samurai), já tive cabelo rosa, roxo, azul, loiro, castanho, vermelho e agora só uso pretinho básico. Já usei roupa estilo skate, estilo nerd, estilo vintage e hoje uso o que ganhar ou garimpar. Já quis namorar o Ken da Barbie. Já quis tanta coisa que nem lembro mais o que mais quero.

Talvez eu queira agora um pouco de atenção. Intrinsecamente talvez por isso nasceu o blog.
Cada comentário ou simplesmente a sua visita já meu querer realizar.
E por isso escancaro minhas manias para você e para ele.

Assim foi.

Entre e fecha a porta.
Da próxima vez, dê leve batidas e anuncie sua chegada.
Você já foi de casa por muito tempo.
Hoje virou visita.
Dessas que organizamos a casa para dar boa impressão.
Estranho agir assim quando se tem diante um cara que conviveu por tantos anos.
Virou um desconhecido¿
Talvez, se eu for levar em questão suas recentes atitudes.
Não adianta com formalidades, pois sabemos o quanto isso é ridículo.
Você não veio aqui simplesmente para perguntar se estou bem.
Sabemos disso.
Preliminares já foram importantes para nós, mas nesse bate papo, por favor, poupe-me do seu desdém.
Não juntamos dinheiro e nem mobílias nesses anos de convivência, mas temos bens para dividir de forma justa.
Com quem ficará o respeito¿ E a confiança¿ E a alegria¿ Da tristeza, desfazemos juntos, por favor.
Meio a meio e não se fala mais nisso ok¿
Encarar a realidade assim dá vertigens.
Mas será bom para nós.
Afinal, você já encontrou um novo amor.
E eu também.
Estamos quites.
Acontece que a rotina contaminou cada um. Um saco dar satisfações aos parentes e aos semi-amigos. Aos familiares mais chegados e os melhores amigos, nada mais justo um F5 nas últimas notícias.
Mas chega uma hora que cansa.
Hoje quando perguntam de você, apenas digo: “Está bem”.
Pronto, fim de conversa.
Uma dica faça o mesmo.
Os principais interessados já sabem do fim.
Tudo tão recente e monótono quando envolve você.
A felicidade ficou por conta do destino que desviamos.
E a nós sobrou o que vem depois do amor: o aprendizado.


“Minha vidinha démodé” – série com vários personagens do meu dia a dia.

Ele não lê, mas eu escrevo!

Por trás daquela frase escondia o desejo.
Desejo em tê-lo por perto, um abrigo tão certeiro.
Deixou rastros de sorrisos, alegria e satisfação.
Você é tão diferente.
Especial por ser completo.
Completo de quê¿
De humor, de educação e de adaptação.
As risadas surgem tão fáceis quando você está por perto.
Você é do mundo.
Nada te segura por tanto tempo.
Um pássaro à procura de novos horizontes.
E isso eu admiro em você.
Um desafio em conquistá-lo com delicadeza.
Manual de instruções¿ Ajudaria muito se você tivesse um.
Mas será que perderia a graça em desvendar teus mistérios com tanta facilidade¿
Um fascínio misturado com euforia envolve tudo isso.
Não houve chance favorável para dizer “até logo”.
Mas sinto que daqui um tempo você volta para esmagar minha timidez com seu jeito peculiar em aparecer.
Enquanto isso a vida segue com graça mas sem você.
E isso é algo que já faz falta.
Pra ti fica o espaço reservado com tanto cuidado.
Desses que não há cobranças, rotinas ou rótulos.
Somos novos no que nos envolve.
A única coisa que espero é te cativar.
Não somos e acho que não seremos um par (ai, Rodrigo Amarante)
Mas já somos parte de uma atmosfera diferente.
E isso nos completa! (é o que imagino)

P.S.: "Minha vidinha démodé" ligou uma chave louca. A chave das descobertas.

Chega de saudade...


Eis mais um pensamento da série “Minha vidinha démodé”.

Como diria Fabricio, mais mexicano impossível.

Bastava um sinal para saber que os dias melhores estavam por vir.

E cada casal tem o seu.

O nosso, ah...eram os mais discretos possíveis.

Quando você batucava algo na mesa, rodeado de nossos amigos, ali estava a sua vontade de ir embora explícita para mim. E quando você deixava a janela aberta do quarto, ali estava o seu bom humor. Você nunca foi de escrever um texto em sms, scrap ou e-mail para mim com o mesmo cuidado que os seus da coluna no jornal. Todos eram sucintos.
E quando escrevia, ali estava registrado para mim o seu esforço em agradar e ser comum como os demais.

Você gostava em telefonar. Não tinha hora para isso acontecer. Mesmo ocupada, eu atendia com aquela voz calma e cheia de felicidade.
Acho que você nunca percebeu como os seus sinais eram tão especiais para mim.

Mas naquela época eu também não enxergava desse modo. Achava bacaninha e legal. Apenas isso.

Hoje, faz uma falta danada.

Um “cadinho” daqueles sinais hoje seria de bom tom.

Mas a correnteza do tempo te levou para o outro lado da minha direção.

Tentei te encontrar atrás daqueles livros, através das notas daquele piano ou pela internet.

Mas não foi em lugares óbvios nossos que você estava. Afinal, a vida para você não é mais a mesma, então pq continuar a freqüentar nossas recordações¿

Você fez o mais correto. Abriu mão da solidão e abraçou o novo dia.

Eu que fiquei trancada naquele vazio que eu construí.

Mas daqui fico a perguntar: “Pq foi tão fácil para você pegar carona com a felicidade¿”

Aquele cartão de Natal com frases tão nossas, aquela almofada de 1985 que adorávamos deitar, aquele leite gelado com muito açúcar que só você sabia preparar, aquele abajour improvisado, aquele caderno do Jornal que você separava pq sabia que eu adorara em ser a primeira a ler ou aquela flor sem embrulho que você me deu não te fazem falta¿

Pelo que noto a resposta é não. Ou você disfarça também.

Mas eu que te conheço (aquele lado que conviveu comigo) sei que não é disfarce. Você superou tudo isso sem problemas.

Pq para você a vida é assim: amar quem te faz melhor e feliz.

E isso, eu não fiz por e para você há muito tempo. Mas não esqueci.

A minha vida é como uma timeline com muitos cortes secos e com fusões. Efeitos, trilha sonora e mídias offlines.

Você agora é como uma foto antiga: em tempos em tempos é bom ver e rever, mas não querer vivê-la.

Lá no fundo das melhores lembranças estão guardados cada amor que tive nessa vida. Deixando espaço livre para os novos que estão por vir.
Novos sinais...
P.S.: "Minha vidinha démodé" é uma série que teve origem em uma madrugada longa durante um domingo. Traços, retratos e expressões que vi e vivi nesses anos todos (sim, sou velha). Não queira encontrar personagens reais pq todos estão misturados.