Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

24 de jan de 2009

O Meio.

O meio.

Ela chegou perto e lançou o sorriso contido que ele tanto conhecia. Segundos, minutos e horas passaram naqueles instantes. Impossível cronometrar. Essas coisas são assim. Ele apenas disse:
- Oi.
Ela retribuiu com a mesma frase pronta daqueles que não sabe puxar conversa de forma original:
- Oi. Tudo bem¿ Como está¿
- Bem. Um pouco cansado. Não gosto de reclamar, mas pra você isso não é problema. Afinal, uma psicóloga vive disso não¿
Ela riu. Esse foi um dos motivos que o coração dele cedesse espaço para ela por tantos anos. Uma mulher que entendia o diferencial mesmo quando ele errava o momento certo em contar piada.

- Não sou mais. Quer dizer, não exerço tal função. Hoje vivo de artesanato. Ganhei bons contatos com as tardes no consultório. Bons amigos que indicaram meu novo dote. Decidi investir em mim. Deixar de escutar aos outros e ouvir meu Eu. Comecei a malhar e ter aulas de dança de salão. Homens exigentes no mercado.

Ela e muitas mulheres no mundo tem essa mania em mostrar aos “ex” certas coisas que não tem fundamento para eles como tem para elas. Tal informação era preciosa para um pseudo-ciúmes, mas ele, assim como muitos, apenas disse:
- Legal. Bom te ver. Não perca contato ok¿ Beijo. Tchau.
- Digo o mesmo. Apareça. Quer dizer...não suma.

A conversa foi interrompida por aquilo que ele tanto tentava esquecer: o amor.
Ali estava guardado o que o tempo não apagou. Apenas jogou para debaixo do tapete. E alguém levantou e fez questão em entregar ao proprietário. O amor é assim, chega, conquista e segue em frente, seja para um novo ou velho amor. Ele não some, simplesmente acha uma direção.

Seguiu o trajeto de sempre, dos 15 anos de empresa. Jamais pensou em pegar outra avenida, outro ônibus ou um passo mais rápido. Quando o que você mais quer é ficar em silêncio, sempre tem alguém disposto a desafiar essa vontade e colocar à prova a sua paciência e anos de Yôga e Pilates.

O porteiro demorou a atender o interfone. Ele insistiu com uma grande diferença de segundos de um toque para o outro. Pura educação. Nada. Decidiu segurar o botão e ser o inconveniente. Portão abriu. Uma piada tão sem graça quanto às suas acontece:
- Calma. Quem tem pressa come cru. Envelhece rápido.

Não obteve resposta. Era assim que ele agia com quem muitos poderiam partir para a má educação. Indiferença. Cinismo, ironia e descaso faziam parte das suas armas de intriga. Não era barraqueiro. Mas após passar pelo segundo portão da portaria, achou que era um momento bom e a pessoa certa para descarregar seu dia chato e o encontro que tanto quis evitar.
- Olá Seu Mendonça.
- Oi, calma aí. “Tchô” atender o interfone.
...
Ele aguardou porque não poderia perder a vítima assim como um vampiro encontra sangue fresco.

Sábado

Hoje descobri que no meio de tantas coisas que me deixam sem jeito, 2 delas ganharam espaço nesse sábado de céu fechado: pescoçudos e chorões.
Estava eu sentadinha no metrô rumo ao trabalho. Eis que olho para frente e percebo uma menina chorando. Minha nossa...como é difícil desviar o olhar. Fico a pensar qual motivo, como é estranho “segurar” as lágrimas (e não adianta olhar para a cima) e como isso chama a atenção. Os pescoçudos são aqueles que quando você lendo um livro, uma revista ou sei lá mais o quê, eles dividem a leitura de forma bruta e descarada. A vontade em fechar o livro, virar a página ou olhar feio é tamanha. Sim, sou uma monstra que não divide a leitura assim.

Pronto. Desabafei.

Sou tão chata quanto os pescoçudos e os chorões.

18 de jan de 2009

Insônia dá nisso...


Preguiça em colocar continuação do post anterior...

4 am.
Tesoura na mesa. Sem ponta.
Idéias mil por hora.
Espelho.
Forrar pia do banheiro com sacola do supermercado (mamãe adora pegar). Sustentabilidade nesse caso passa longe.
Pente.
Franja alinhada. Pronto. Corte feito.
Tesoura “desfiadeira”. Toda lateral também sendo cortada sem dó e nem piedade.
Sorriso no rosto.
Cagada geral.
Isso aconteceu após doses de Coca-Cola com pizza fria.

Unhas vermelhas.
Cabelo cortado.
Tudo feito por mim às 4 am.
Logo às 7 estou de pé pronta para trabalhar.

Sou assim. Imprevisível e noturna.

Uma tesoura na mão e uma idéia na cabeça.
Sou assim.

O início.

Um som distante revelava o amanhecer.
Ele acordou com a certeza que estava atrasado como de costume.
Olhou para o relógio digital que piscava e mostrava o horário estranho: 00:15 h.
Com a janela do quarto, não conseguia saber se era dia, tarde ou noite. O relógio não era confiável no momento assim como o de ponteiro, nessa ocasião poderia ser meio dia ou meia noite.

Provavelmente essa foi a hora que tenha acabado a energia ou aquela comum “queda de energia” como diria minha avó.
Ele ficou por alguns segundos pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Imaginou o horário real, se tomaria banho ou não, em um relógio de backup que nunca pensou em ter ou qual explicação dar ao chefe. Afinal, ao longo dos 15 anos de empresa, já deve ter matado muitos parentes em suas justificativas de falta ou atraso no trabalho.

Mas isso não o tornava um funcionário ruim. Ele era mediano, aliás como em qualquer setor na sua vida. Nos tempos de infância, nenhum professor decorava seu nome, pois não era o aluno das melhores notas ou das piores. Isso acontece com todos que são assim. Eu pelo menos não lembro dos medianos que passaram em minha vida. Não era o bagunceiro ou o colorido. Na adolescência não aderiu a nenhuma tribo, sempre manteve o visual comum, típico daqueles que só usam roupas que foram repassados por primos e irmãos. Nunca fez uma tatuagem ou colocou um piercing. O cabelo era liso, castanho escuro e sem um penteado da moda. Dentes brancos, bem cuidados e sorriso cativante. Tirando sua acidez, sua arma de sedução era a risada fácil. Tinha uma piada sempre na ponta-da-língua. Em velório de um amigo de infância, fora capaz em dizer à mãe do falecido:

- Pense pelo lado positivo. Adriano não precisará mais pagar as contas do mês e nem enxugar os dedos dos pés. Ele sempre reclamava disso.

A mãe conseguiu sorrir. Não sabemos se foi uma maneira educada em retribuir tal apoio ou simplesmente tenha achado graça.
Após levantar e dar os primeiros passos daquela quarta-feira nublada, ele decidiu fazer tudo sem pressa. Como estava atrasado, correr seria bobagem. Precisava de tempo para inventar a desculpa ou a verdade que faça com que o coordenador não tenha coragem em brigar por tamanha desenvoltura.

Tomou banho, preparou a vitamina e ainda comeu um pão francês guardado há 3 dias no forno.
Pegou o uniforme e vestiu sem pressa. Dono de apenas um par de sapatos colocou e reparou no furo pequeno que há tempos estava ganhando outras proporções. Ao invés de pensar em comprar um novo, pensou em como fazer com que o buraco não aumentasse. Isso define este sujeito. Ele não gosta do novo, procura inovar o que já tem. Assim como todos os setores de sua vida.

Um ônibus lotado, duas linhas do metrô e uma caminhada de 18 minutos. Era assim de segunda à sábado. Em dias de chuva isso mudava um pouco. No trabalho, deu sorte que o coordenador não havia dado “às caras” por lá. Não batia cartão. Ali o esquema era cara-a-cara.

Trabalhou de forma mais rápida possível para ganhar o tempo perdido devido ao atraso. Ele tinha um chekclist muito grande e a cada “ok” escrito no papel um alívio memorável.

Dia longo. Dia rápido. Oscilava conforme as horas.

No caminho de volta para a casa ele não esperava tal encontro. Não houve tempo para atravessar a rua ou entrar em alguma loja para evitar conversas. Aconteceu de forma rápida e brusca. A única coisa que pôde pensar foi:

- Justo hoje em que o dia começou curto pode acabar longo demais.

14 de jan de 2009

Piegas mas sincero.


Trechos específicos de uma música que tocou nas rádios na década de 90 procê:


"Sinto sua falta

Não posso esperar

Tanto tempo assim

O nosso amor é novo

É o velho amor ainda e sempre...


Não diga que não vem me ver

...


Que culpa a gente tem

De ser feliz

...

O mundo bem diante do nariz

Feliz aqui e não além...


...


Me sinto só


...


A minha casa sem você é triste

...


O mundo bem diante do nariz

Feliz agora e não depois..."
Por oras Samuel Rosa traduz o que penso e sinto...mas em certos momentos...nem tanto!
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Tipo a brincadeira tá quente, tá morno e tá frio.

Agora está mais quente ainda. Logo estará frio.
A viagem que ela tanto quer está logo ali. Se piscar passa como um furacão prefiro então não dormir para dar idéia que está mais devagar.
Já escrevi para ela tantas vezes, seja por e-mail, sms, MSN, scraps ou cartões.
Mas dessa vez a escrita toma outro caminho.
Daqueles que só quem ama consegue traduzir.
Um amor verdadeiro, um amor sem cobranças, um amor com puro respeito e harmonia.
Lágrimas são inevitáveis. Não dá para conter.
Quando coisa vivemos juntas ou imaginamos viver pensando em dias melhores¿
Por você abro mão dos sonhos, de atos, das palavras ou em admitir que Adam Richard Sandler, ou simplesmente Adam Sandler em 50 First Dates merecia o Oscar por sua atuação esplêndida.
Ou que Friends seja algo legal mesmo e um box seja interessante.
Talvez eu admita em que ter um vizinho com um “quê” de voyer não seja tão divertido o quanto eu acho.
Que JAMIE OLIVER seja melhor que Olivier Anquier.
Que salpicão de frango com pão francês e manteiga seja algo incomum.
Que Cocoricó seja o melhor programa de televisão já feito.
Que dormir sem meias realmente seja mais agradável.
Que uma amiga sua não seja tão chata só porque eu não admita que ela namore com o bonito.
Que bonecos feitos apenas com durex, fita típica de embalagens para presente + canudinhos coloridos sejam fantásticos e incríveis.


O bom em relembrar as coisas é aprender com elas que a vida é feita de muitas missões.
Cumprimos muitas. Mas outras estão por vir.

Fico aqui no Brasil (enquanto Israel seja apenas um sonho distante) plantando sementes boas para as nossas lindas missões.

P.S.: O livrinho verde (Sinal Verde ...acho) muda muita coisa a cada página lida assim como você em minha vida.
"Ter um amigo não é coisa de que todos podem gabar-se."
Antoine de Saint-Exupéry
"O amor é o único que cresce quando se reparte."
Antoine de Saint-Exupéry

Respostas


Mari, no momento sem textos sobre flertes. Aqui no meu mundinho pseudo-Israel as coisas estão caóticas demais para flertes.

Castor: -28.154752, -48.659059 é um belo número para tatuar. Se possível (ainda não aprendi a pesquisar no site, sim, sou lerda) tem como pegar essa referência de Tel Aviv?

Karolzitaz: seria muito hype você usar uma Melissa Hello em seu casamento. Até um All Star seria muito indie. Você foi à Galeria Melissa? Na Armazem também vende algumas.

Nina: a indicação para concorrer ao prêmio me encanta. Obrigada mesmo. E que vença o melhor.

Rogério: não abandone seus sonhos. Tem dias em que jogar tudo para o alto parece ser a melhor solução. Mas pense e reveja tudo aquilo que construiu. Com certeza vale a pena tentar e dar a chance da TV te ter pertinho. E nós também. Obrigada pelo livro. Livros e DVD´S quando ganho, sempre são os que mais quero.


Bruna: Melissas são temas de boas discussões. Entre a futilidade e utilidade....hauhaa (nossa piada interna). Fiquei feliz que tenha feito um passeio aqui. E sobre a visita? Será feita. Mas saiba que o bem maior já existe: você mora em meu coração. Já foi hóspede, hoje és moradora das antigas. Daquelas que senta na ponta da mesa e tem poltrona com chinelinho.

Fezita: as novidades estão cada dia melhores. Parabéns pelas conquistas. Não se vive um mundo real sem idealizar sonhos. E estes, vc realiza a cada dia. E bom demais dividir esses momentos com usted.

Danilo: Parabéns pelo belíssimo trabalho audiovisual. Um portfólio recheado de excelentes projetos. Um pequeno menino com alma de gente grande. Um talento que me orgulha como pseudo mãe. Sim, comemos lichias, devoradores de mistos na Uni-Due e frequentadores de bancas de jornais. Amamos a Avenina Paulista! Saudades docê.
Carina: as tardes no divã na Psycoterapeuta Nina Medina tem feito um bem mais maluco à mim do que a paciente (creio eu). Fazer perfis fakes das pessoas proporciona boas risadas não? O problema é correr o risco em revelar as bobeiras para tais.
Má Tanus: não sabia que era contagioso ser desastrada. Vc me paga pequena! E volta logo pra Sampa. Precisamos ir ao mercado dos gaúchos com o Aleks.
Elaine Melo: cadê seus textos? Hunf. Fez meu ingresso e cá abandonou. Monstra!


Mãe!

Sei que até o dia em que você ler meu blog levará um bom tempo.
Saiba que hoje não tive um sonho bom. E dessa vez você não me ligou como de costume quando isso ocorre (ela sempre me liga quando stou triste. Sente de longe).
Acordei assustada mas lembrei do que a senhora sempre fala: "Nunca acontecerá com o protagonista do sonho, fique tranquila".
Talvez tenha dado um leve sorriso ao lembrar disso mas logo em seguida devo ter lançado um olhar perdido para a janela e fiquei a imaginar que sinal foi esse que o sonho mostrou.
Não quero ler o livro dos sonhos.
Deixa estar.
Confio no tempo.
Permaneço em alerta.


Um amor que ultrapassa os limites de qualquer barreira.

11 de jan de 2009

Indicações.


Tanta coisa legal e recomendo mesmo.


Tem show no Sesc em fevereiro com a galera do 3 na massa.


Tem show gratuito no Memorial da América Latina no final desse mês, com a galera do Quinteto em Branco e Preto (melhor auditório do Brasil na minha opinião).


Tem show da galera Móveis Coloniais de Acaju no Sesc também.


Tem o livro do maravilhoso e lindo Marcelo Rubens Paiva "A segunda vez que te conheci" (mesmo sem ler já sei que é excelente só pelo autor).


Tem o texto fofo do Paulo Mendes Campos no site: http://www.almacarioca.com.br/cro82.htm



que a apresentação é: "Conversas Furtadas é um blog coletivo. Registramos aqueles fragmentos de diálogos ouvidos nas ruas, elevadores, ônibus, trens, restaurantes, onde for."


Tem filmes gratuitos no Memorial da América Latina.
Tem a Melissa "Hello" querendo ser comprada a qualquer custo na cor vermelha.


óia..só falta dinheiro...pq de resto a vida segue bonita.


9 de jan de 2009

Miscelânea de idéias.


To ficando com medo. Scraps, e-mails e sms´s de amigos dizendo que quando assistem a série Maysa lembram de mim. Espero que os vestidos bufantes e o make carregado sejam os motivos.

Bem...aguardo roendo as unhas as respostas dessas pessoas (pessoalmente, rs).

Mas este não é o assunto de hoje.
Pode até parecer que já tenha escrito coisa parecida, mas a intenção mudou.
Isso faz parte da série “Minha vidinha démodé” - Texto longo. Aviso dado, creio que em 5 minutos você leia tudo baby.



Tem vezes que a solidão é minha melhor amiga.
Ela faz com que eu pare para refletir no que deixo o acaso cuidar.
Ela faz com que eu tenha a ansiedade em ler, comer, beber, cantar...ela mostra um lado meu que em público desaparece e eu mesma desconheço.
Ela acolhe todo o sofrimento e modifica minhas idéias das mais simples até as mais insanas.
Como é bom ficar só quando lá fora as coisas estão um caos.
Pode ser que o caos seja eu que o faça existir, mas quando estou só, ele passa a ser um mero figurante “beira-de-estrada”.
E a solidão vira uma tentação quando sinto que sou uma péssima cia. seja para quem for.
Até para meu filho-felino.
Os sinais são sempre os mesmos: falta de assunto, mania de limpeza, ouvindo a mesma música a semana inteira ou não conseguir ler uma página seja de livro ou revista com atenção (reler é um tédio).

“A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.”
Carlos Drummond de Andrade

Mas toda faceta tem seu outro lado.
Às vezes a solidão recolhe tudo aquilo que não quero ver, ouvir e muito menos sentir.
Sim, essa última palavra-verbo é a mais latejante que as demais.
Como um simples conta-gotas, tudo chega ao coração em um processo lento e entediante.
Mas o coração ao longo do tempo ganhou uma capacitável incrível em regenerar as mazelas que um dia ele sofreu.

“Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.”
Carlos Drummond de Andrade

Mas não é invencível, imbatível ou qualquer outra coisa que o torne imortal e imune a dor.
Apesar das histórias que ele carrega e o tempo jamais apaga, um bombardeio de sentimentos aflora este órgão-símbolo do mais nobre sentimento.


“Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas.(Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.)”
Carlos Drummond de Andrade


Percebe que o furacão passou não pelo caos e sim pelo vazio em locais que um dia já foram preenchidos.

E muitas vezes, começar de novo não é reinventar uma(s) história(s) e sim continuar a caminhada de onde parou. Adiante. Uma sequência como de uma película.


"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata...."



O roteiro ganha uma nova versão de última hora, um personagem deixa em ser o principal e passa a ser secundário, uma cena pronta deixa de existir por falta de critérios, uma luz que não funciona, um choro que não sai, um sorriso forçado perde a graça na ação, uma música tema ou um efeito que embeleza aquilo que aparentemente não tem jeito, um cenário que não existe, um figurino que escandaliza uma nação, diálogos que são recordados e repassados para as novas gerações, um erro de continuidade, um final sem explicações ou um completo conjunto de preciosidades do começo ao fim.

Um pôster na parede. Com o mais belo sorriso. E um rabisco que não lembro quando e que significado teve no dia em que foi feito.

Estava certo quando pensou e não hesitou ao escrever:


“As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”
Carlos Drummond de Andrade



Carlos não faz idéia da mais nova pseudo-tatuagem-feita-com-caneta de DVD ser a frase dele:
"A vida não chega a ser breve."
Carlos Drummond de Andrade

7 de jan de 2009

Botox na alma.


Tem certas coisas que são um F5 na realidade.
Hoje estava fuçando em alguns sites qual é meu ascendente.
Estive em uma situação tenebrosa. Ao clicar no Box que possuem os anos de nascimento, ao escolher, notei que até anos atrás, era bem rápido achar a década de 80. Hoje, a setinha demora a chegar lá. Minha nossa...o tempo está voando, deixando rugas, amnésias e desespero.

Pior que isso é ser chamada de “tia”. Isso é igual às atrizes que começam como protagonistas de Malhação, na novela seguinte já tem marido e nas novelas seguintes em menos de 5 anos já são mães e logo avós.

O Tempo joga na cara (através das rugas que nem o botox apaga ou ameniza) essa parte chata da vaidade.

Já houve o tempo em comprar anti-acne. Agora são os anti-rugas que dão piscadelas para mim nas prateleiras das melhores perfumarias.

Já sou ranzinza, rabugenta, neurótica e metódica. Uma virginiana com ascendente em Capricórnio não poderia ser mais envelhecedor.

5 de jan de 2009

...anônimo...

Passei a madrugada inteira (com intuito de nada) pesquisando sobre uma pessoa.
Que engraçado você digitar no Google o nome de alguém que você crê que não tem tanta história e a internet te mostra exatamente o contrário.
A brincadeira começou meia noite e foi parar às 5 da matina (e não acabou a pesquisa) porque preciso acordar às 8 para labutar.

Já pesquisei sobre mim. Apenas listas de vestibular constam minha popularidade.

Deixa estar.

Desabafo.

Quem dera poder jogar no abismo;
Atirar pedaços de madeira;
Queimar até sobrar a última cinza;
Dar um fim em cada pedaço;
Rasgar sem medo em ter arrependimentos;
Demolir cada parte que sobrou;
E não ter o juízo que mantive até então.

Esse é o fim que quis dar àquilo que carrego nesses anos: o orgulho bobo em não aceitar que podemos ou poderíamos ser melhores nos acasos que “esbarramos”.

3 de jan de 2009

Inspiração sim, cópia não era intenção.

Roger´s falou sobre Rufus em seu blog. Logo funcionou como uma foto de qualquer lanche do Mc Donald´s. Despertou uma vontade em ter também.

Ouvi as músicas típicas de rádio.

Mas a regravação clássica de Across The Universe grudou na mente.

"Jai guru deva om.
Nothing's gonna change my world."

Jai guru deva om
Jai guru deva om
Jai guru deva om

** ao cubo para dar sorte e quem sabe não vira uma pseudo-tatuagem feita com caneta de dvd.

Edu Krieger e Arlindo sempre é de bom tom.


Bela canção na voz de Maria Rita:
"Novo Amor"

...


"Mas não faz mal, não é o fim da batucada

E a madrugada vem trazer meu novo amor

Bate o tambor, chora a cuíca e o pandeiro

Come o couro no terreiro porque o choro começou.


A gente ri

A gente chora

E joga fora o que passou

A gente ri

A gente chora

E comemora o novo amor."
Maltratar não é direito
...
"Um amor só é bom
Quando é prá dois
Eterno é antes e depois
Agora não vou mais me enganar
Não quero mais sofrer, não dá
Se o teu desejo era me ver
Se deu vontade de saber
Se tô feliz
Até posso dizer que sim"


Melhor do que escutar no rádio, ver no youtube ou colocar a música pra tocar seja no cd ou no pc, é ver Maria Rita em seu show com aquela iluminação perfeita que não se vê há tempos. Recomendo.


2 de jan de 2009

Na mão do tempo.

Lembro-me do dia em que achei que 2000 seria o fim dos tempos.
Desconfiava, queria ser cética mas as profecias eram mais fortes.
Cá estamos em 2009.
Quanta coisa passou, superamos, esquecemos, relembramos e conquistamos não¿

Dediquei-me: prioridades estúpidas que me levaram alguns momentos e pessoas boas da minha vidinha ordinária.
Dediquei-me: decorar frases e textos que nada trouxeram importâncias a mim.
Dediquei-me: comprar futilidades e abrir mão das coisas que recentemente aprendi a gostar.
Dediquei-me: reclamar das coisas tolas, falar “pelos cotovelos” e infelizmente não ouvir quando ali estavam os códigos de uma missão interrompida ou cumprida.
Dediquei-me: cursos inúteis e leituras banais.
Dediquei-me: fofocar sobre artistas e não falar sobre nós.
Dediquei-me: sufocar nosso precioso tempo e não dar ar ao nosso momento.
Dediquei-me: comer demais e ficar sossegada por isso.
Dediquei-me: não praticar esportes ou caminhadas pelo bairro.
Dediquei-me: roer as unhas e a cortar meu próprio cabelo.
Dediquei-me: não contar segredos para minha mãe e achar (de forma errônea) que isso era bom.
Dediquei-me: dormir mais e passear menos.
Dediquei-me aos que vieram ao meu encontro e não fiz esforços para os que fizeram outros caminhos.
Dediquei-me: ficar só quando o momento era propício para ficar junto.
Dediquei-me: criticar mais e observar menos.


De 2000 pra cá isso tudo e muito mais fizeram de mim o que sou agora, neste exato frame.

Se o saldo foi bom...ainda não tenho coragem em avaliar.

Sei que os erros gramaticais, ortográficos e a auto-crítica são meus alvos para 2009.

O resto deixo na “mão do tempo”, que cuidou ao seu modo - antes, durante e depois de 2000 das minhas tolices e acertos.

Espero que as dedicações avancem para um lugar melhor. A intenção existe. Só falta colocar em prática.

1 de jan de 2009

Primeiro dia de 2009.


Se possível... recomendo vossa pessoa ler ao som de Adriana Mezzadri com a canção “Te tengo miedo”

Muito além do sorriso estampado ou da frase pronta, tem um mundo coberto de inseguranças e incertezas.
Atrás de canções atemporais e escritores latinos, acho um pouco de mim em busca de ti.
A procura cresce para encontrar as respostas das perguntas jamais feitas.
Não teve motivo para a fuga nas palavras, mas houve um desejo de usá-las como defesa daquilo que me afronta.
2009 nasceu longo e musical.
Sem grandes festas e sim de longínquas conversas se fez presente um ciclo novo.
Foi melhor do que imaginei.
O mais difícil não é alcançar o tempo bom e sim manter-se firme nele.O que ficou para trás: ele cuida. O que está agora: eu tenho cuidado. E o que virá amanhã: cuidamos juntos.