Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

23 de jun de 2009

Mais um conto.

O desespero tomou conta quando um pensamento surgiu:
Ela desaprendeu a amar?

Pensou muito sobre como perdeu, como poderia voltar a tê-lo novamente. A busca parecia algo longe de qualquer ideia.
Descobriu que mesmo nas coisas fáceis a dificuldade habita.

Esqueceu das palavrinhas mágicas, dos joguinhos tolos do amor, dos ciúmes sem fundamentos, em fazer surpresas com bilhetinhos, papos furados ao telefone, sair com os amigos dele, fingir felicidade em “Programas de índio”, aproveitar um feriado a dois, dançar coladinho, cortar as unhas dele e arrumar a sobrancelha que insiste em ficar desalinhada, espremer as espinhas do ombro, em ter dúvidas na hora de comprar presentes em datas importantes (dia dos namorados, aniversário, Natal e dia das crianças – sim, ela não esquecia dessa data), ver as fotos de quando era criança, de jogar videogame, de dividir a sobremesa no mesmo prato, dividir o saquinho de pipoca no cinema, em escolher filmes bobos só para ter motivos em ficar ao lado dele.

O som das buzinas a despertou da confusão. Desceu do ônibus e comprou um chocolate. Felicidade garantida por um minuto. Ouviu:
- Que horas são por favor?
Ao responder encontrou uma beleza diferente naquele olhar cansado do rapaz. Ele agradeceu e correu rumo ao ponto de ônibus. Ela sem razão alguma correu atrás. Sentou ao lado dele e antes que qualquer frase pronta surgisse, perguntou a hora. Ele distraído com sua maleta, sem olhar apenas disse:
- 19:25.

Ela riu e não perdeu tempo ao dizer:
- Não, já são 19:28. Você está atrasado.

Olhares em sintonia.
Sorriso no canto da boca de ambos.
Silêncio.
Um amor que durou por 20 anos nasceu ali. Acabou em uma esquina que jamais estiveram lá durante esse tempo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário