Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

29 de dez de 2009

Recomendo...again!

E a última recomendação da madruga de segunda pra terça (tive um motivo que me fez perder o sono....já são 6 am e nem de leve ele apareceu (o sono, rs)...

A música mega antiga do Cidade Negra..."Minha Irmã".

Vale a pena ouvir...mais de uma vez.

Brisa louca!

Linda demais

Se puder...vá ao Youtube...e procure Bethânia ao lado de Caetano e Dona Canô cantando "Foguete"...é de emocionar...simples e bonito.

"Foguete"

Composição: J. Velloso/ Roberto Mendes

"Tantas vezes eu soltei foguete
Imaginando que você já vinha
Ficava cá no meu canto calada
Ouvindo a barulheira
Que a saudade tinha
É como diz João Cabral de Mello Neto
Um galo sozinho não tece uma manhã
Senti na pele a mão do teu afeto
Quando escutei o canto de acauã
A brisa veio feito cana mole
Doce, me roubou um beijo
Flor de querer bem
Tanta lembrança este carinho trouxe
Um beijo vale pelo que contém

Tantas vezes eu soltei foguete
Imaginando que você já vinha
Ficava cá no meu canto calada
Ouvindo a barulheira
Que a saudade tinha
Tirei a renda da nafitalina
Forrei cama, cobri mesa
E fiz uma cortina
Varri a casa com vassoura fina
Armei a rede na varanda
Enfeitada com bonina
Você chegou no amiudar do dia
Eu nunca mais senti tanta alegria
Se eu soubesse soltava foguete
Acendia uma fogueira
E enchia o céu de balão
Nosso amor é tão bonito, tão sincero
Feito festa de São João"

28 de dez de 2009

Belezura

"Depois de ter você
Pra que querer saber
Que horas são?"


Na voz de Bethânia.

Assim como no Twitter:

"Sou solta na vida
E sob medida
Pros carinhos seus
Meu amigo
Se ajeite comigo
E dê graças a Deus"

Chico...sábio Chico.

Vendo o dia amanhecer...

Como diria Arnaldo Antunes “a dor é de quem tem”.
Assim abro este texto.

Ai que saudade dos tempos de meninice.
Onde a cafonice, a inocência e a brincadeira andavam de mãos dadas.
Tudo era motivo de festa, choro ou sono.
Ainda é assim. Menos intenso, mas é.
Gostava do nerd, do isolado, do tímido e do magricela.
E tinha sempre um que me dava a leveza e as melhores lembranças.
Ai que saudade que insiste em bater.
Mas uma hora ela passa, assim costumam dizer.

Hoje gosto dos nerds, dos isolados, com voz de fumante ou dos que escrevem bem.
Mas gosto ainda mais daqueles que abraçam o mundo como se ele fosse uma bola de futebol. Desses que distribuem caronas, sorrisos, afagos, proteção...coisa que um dia foi ciúme, hoje é a mais pura admiração.




“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Como diria Caetano Veloso. Assim faço desfecho neste texto.

"Eu vou fundo na existência
E para nossa convivência
Você também tem que saber se inventar"

27 de dez de 2009

Dona Canô

Dona Canô e suas lições de vida: 3 palavras de ordem:

"Amor, festa e devoção"

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=LbSC9yOqcaA


P.S.: Família bonita e encantadora.

Poder da caneta.

Paulo César Pinheiro. Já escrevi sobre ele. E quando ouvi a canção dele no novo cd da Maria Bathânia...estava ali o homem que encantou a mulher que tanto admiro: Clara Nunes.


Composição: Dori Caymmi e Paulinho Pinheiro


Quando o amor se hospedou
Todo o mal se desfêz
Toda dor teve fim
Pois quem cuida de mim
É o amor outra vez

É o amor que dá vida ao meu peito
Prá eu jamais ver o tempo passar
É o amor que dá paz ao meu leito
E me ensina a sonhar
Só o amor faz um bem tão bem feito
Que o destino não vai desmanchar

Só uma coisa no amor não tem jeito
É ter medo de amor
Mas agora que eu sei
Todo o bem que me fez
Vou seguir sua lei
No meu peito meu rei
É o amor outra vez

É o amor"

Somar...

ESSA MÚSICA TEM TUDO A VER COM O POST "DEVANEIOS".

Canção de Arnaldo Antunes.

Nome: 2 perdidos

"Quando eu quis você
Você não me quis
Quando eu fui feliz
Você foi ruim
Quando foi afim
Não soube se dar
Eu estava lá mas você não viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim

Quando eu quis você
Você desprezou
Quando se acabou
Quis voltar atrás
Quando eu fui falar
Minha voz falhou
Tudo se apagou você não me viu
Tá fazendo frio nesse lugar
Onde eu já não caibo mais
Onde eu já não caibo em mim

Mas se eu já me perdi
Como vou me perder
Se eu já me perdi
Quando perdi você"

Opção A

Que maravilha.
Já dediquei parte desta canção para 2 grandes pessoas. Dessa vez...de forma completa...apenas dedico ao blog (para quem gosta de Chico Buarque tão quanto eu)

:)

Canção: Todo sentimento

"Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu."

Aniversário.

Hoje, dia 27 de dezembro...é aniversário de uma das pessoas que mais amo e a única que eu olho e penso: "Quero ser 2% guerreira como ela é, já tyá bão d+"

Minha avó Cida Proni.

A melhor chef de cozinha, o melhor colo, o melhor abraço, os melhores conselhos, as broncas mais doídas, a mais religiosa, a mais andarilha e dos cabelos bonitos.

Ela não lê meu blog pois está sempre ocupada.
Mas fica aqui meu afago.

25 de dez de 2009

Antes ..



"Não vai voltar
o tempo,
os dias
Em que tudo ainda estava no lugar, abra os braços, abrace o que sobrar"

grande Herbert.










23 de dez de 2009

Nem eu esperava.

Nessas buscas...encontrei o cd novo da Mallu Magalhães.

Indico o link do UOL: http://www.radio.uol.com.br/volume/mallu-magalh%C3%A3es/mallu-magalh%C3%A3es/19185

As músicas encantadoras:

"É Você que tem"
"Te acho tão bonito"


Muito fofas. Mesmo.

Muito açúcar.

Hoje, ou melhor, agora pela madruga (já que passei o dia dormindo, graças aos medicamentos para uma gripe chatinha), achei raridades musicais e divido com quem tiver interesse em ouvir e apreciar também:

Artista: V. V. Brown
Canção: Crying Blood

Artista: Gilberto Gil e Maria Rita
Canção: Amor até o fim.

Artista: Diogo Poças e Céu
Canção: Nada que te diz respeito

Artista: Diego Moraes
Canção: Garçom

E o cd novo da Norah Jones...

20 de dez de 2009

Sempre.

Caio Fernando Abreu salva qualquer pensamento torto.

"para seu próprio bem guarde este recado: alguma coisa sempre faz falta. Guarde sem dor, embora doa, e em segredo."

"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu. "

"Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa" (ESSE É O MEU PENSAMENTO DE AGORA. PQ ELE MANDA RECADO PARA A DRI VIA MSN E NÃO ME DIZ CARA A CARA?)

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita..."

Ele sempre soube das coisas...sempre.

Devaneios.

Da série...

A lágrima que se formou nem escorregou pelo rosto. Foi direto ao chão. Era pesada. Ali continha o desejo do passado. A maquiagem nem foi destruída. Mas os olhos permaneceram tristes. Evitar? Para quê?

Mais um ano que passou e ele nem perguntou por mim. Como pode ser assim?

Tento sempre fazer o mesmo. Mas há uma diferença entre nós: ainda há amor em mim.

18 de dez de 2009

COISAS BUROCRÁTICAS.

Lá estava na sala de espera aguardando ser atendida.
Ouço meu nome e não encontro o dono da voz.
Caminho e chego diante da primeira sala do corredor. A porta estava aberta. Pensei: "Esse médico folgado nem pra levantar essa bunda velha e vir me buscar"
Dito e feito.
Lá estava aquele homem, com uma pele sem vida, jaleco branco de 10 anos, com aquele óculos de tartaruga com lentes verdes. E dentes cinzas. Nem me olhou direito e pediu para que sentasse.
Pediu nome completo, data de nascimento.
Daí começaram aquelas perguntas cretinas que não levam a lugar nenhum pois quem deveria me dizer era ele e não eu.

- Seu nome completo por favor.
- Carolina Azevedo.
- Idade?
- 27 anos.
- Altura?
Pensei e imaginei "pq esse filha da puta não usa aquela máquina ali encostada e mede?"- respirei fundo e disse:
- Gostaria em ter 1.70.
- Peso?
Pensei e imaginei "pq esse filha da puta não usa aquela máquina ali encostada e pesa esse corpo gordo?"- respirei fundo e disse:
- Talvez uns 80.
O sujeito, levantou aquele olhar cansado e estagnado e disse:
- Não, 80 você não tem mesmo.
Eu, apenas sorri com aquele sorriso amarelo e disse:
- Há mais de meses não acho uma balança que não cobre 50 centavos para isso.
Ele, percebendo meu stress (pudera: foram 45 minutos de espera para uma fila de 3 pessoas) logo sorriu.
- Vamos para as perguntinhas básicas: Você já sofreu alguma fratura?
- Não.
- Já sofreu algum acidente de trabalho?
- Não (stress é considerado?....pensei)
- Já teve alguém na família com hepatite, diabetes, câncer?
- Sim.
- Toma algum tipo de medicamento?
- Não.
- Tem algum tipo de alergia?
- Sim. Paçoca.
- Você fuma?
- Não.
- Você bebe?

Silêncio de 5 segundos.

- Sim.
- Mensal, quinzenal, semanalmente?

Silêncio de 5 segundos.

- Uns 3 dias por semana.

Silêncio de 10 segundos.

- Senta ali na maca.
Pegou o medidor de pressão, um palito de sorvete.
Não houve diálogo.
Nem queria.

Entregou um formulário e pediu para fazer o exame oficial.

Saí de lá com a seguinte sensação:

Na verdade, eu ali ou eu em um divã daria na mesma. A diferença é que dá a impressão de que fui curada.
Por mim mesma.

14 de dez de 2009

Porta "entreaberta"

Mais "Minha vidinha démodé":

"Longe da sutileza prevista, ele tinha um desapego por pessoas que causava tamanha estranheza.
Um dia gostava, e se notasse algo fora do tom, no dia seguinte nem lembrava do ontem.
Motivos não faltavam para desfazer laços: cigarros, bebedeiras com direito a pastelão, unhas vermelhas, cabelo curto, pés feios...tudo era motivo para partir para outra. Elas não entendiam nada. E ele não fazia nem questão em explicar ou dar um adeus.

E quem questionava, dizia:

- Para começar não precisa de porquês. Faço o mesmo no desfecho. Poupamos lágrimas, frases prontas e outras coisas que não precisamos e podemos evitar. Facilita a vida pois assim ela fará o mesmo com você. Vai por mim.

Um rude. Um ogro. Um monstro.

Tantas definições àquele homem. Pudera, ele não era tão comum assim.

Mas queria sempre um caso para viver em paz com o amor. Em pequenas doses. Assim como o velho whisky do boteco da esquina.

Lá se vai mais uma história com aquela mulher para ele perder a linha.

E ela vem chegando..."

Indico mesmo.

Cá estava eu fuçando no Orkut (layout velho por opção e conforto) e eis que encontro uma comunidade incrível:

Rita Apoena - até então com 3.747 membros.

Incríveis textos.

Link do blog: http://ritaapoena.blogspot.com/

Tão fofo.

Espero que goste, baby!

Vai um trecho da maravilha de escrita da Rita:


Sobre as despedidas

"Os cílios agarraram-se às pálpebras quando tentei fechar meus olhos. Mas você assoprou e todos voaram. De novo nasceram e de novo voaram. Não faça mais isso! Quem vai cortar a lágrima em fatias no dia em que você for embora?"

Repente!

"Todo mundo já teve dor de dente
Mas assim como uma febre, uma cólica, um desamor
Não passa tão rápido ou de repente.
Santa paciência, falta carência
Não tem plano de saúde que dê jeito.
E "numa" sorte de presente
O futuro sorri, o passado envelhece, e o agora cuida desse casulo que vive meu peito"


Um sambinha para mostrar ao Serginho Meriti e provar que não levo jeito pra compor (ao contrário do que ele pensa).

Cecília de Bolso.

Estou lendo um livro (melhor dizendo, o melhor achado de 13 pilas) chamado Cecília de Bolso. Sim, a Meireles. Em paralelo estou lendo a incrível entrevista do Mano Brown da Revista Rolling Stone. Destinos e histórias diferentes. A semelhança? A magia de encantar pessoas com versos simples.

Eu que até então desconhecia o trabalho de ambos (só de forma bem rasa) mergulhei e me entreguei as pesquisas. Recomendo a leitura da revista independente do estilo musical que vc curte e o livro? Poxa, estou ná página 131 e cada dia mais feliz.

Graças ao livro...descobri que o começo da música que mais gosto na voz de Bethânia (que até escrevi um post recentemente com a letra) tem um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:

"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar"

Uma história puxa a outra, tem sido assim nas minhas últimas leituras. O acaso me faz comprar livros, revistas, DVD´s e descobrir semelhanças.

Assim foi com Clara Nunes, Candeia, Marcelo Rubens Paiva...

E Meireles e Brown agora.

bj pra quem fica!

10 de dez de 2009

Conto.

Da série "Minha vidinha démodé"

"Mulher é uma incógnita. Encana geral com coisas que homem nenhum no mundo talvez faça ideia de que bololô foi criar.
E ela ficou bem brava ao saber que ele chama a atual pelo mesmo apelido que a chamava. Pior foi para a Zefinha, que teve que engolir a seco o convite de casamento estampado com a frase que ela tatuou na pele em homenagem até então para o namorado. Lá estavam os dizeres: "Por um segundo mais feliz". Sim, ele sem dó e piedade usou a frase no seu grande dia.

Claudinha teve que ler o scrap "Saudades da sua mordida" e ver que ele mandava para todas as amigas. Clarice não sabia o que fazer para esquecer tal decepção: seu ex escolheu o nome da filha Paula, o mesmo que ambos decidiram quando começaram a namorar e planejar filhos. Sim, ele teve. Não com ela. Mas teve e seguiu a promessa do nome. Clarice deveria ter feito um contrato com requisitos mais específicos. Não o fez.

E Alice que precisou de muitos calmantes para aceitar o convite de madrinha do filho de ex marido. Seria de bom tom negar? Não daria sorte?

Pois é...só quem viver...verá que do outro lado dói a dor do amor, mesmo quando esse já não seja dividido em partes iguais."

Apaixonante.

Olha, tenho 27 anos...e não encontrei nenhum homem no mundo que seja mais bonito, inteligente, ácido, engraçado e que escreva tão bem como o Marcelo Rubens Paiva.

O destino fez bem em não nos unir.

Eu só ia querer ficar com ele e mais nada.

Recomendo para entender o motivo:

http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/

E os livros também, é claro!!!

Perfeições que a vida nos dá.

Lá estava eu semana passada na Livraria Nobel a procura do novo libro sobre Clarice.
Não o encontrei e o vendedor insistia em vender alguma obra dela. Não fui em busca disso e segui com a meta.

Eis que quis encontrar o livro Cartas a Caio F. e também não achei. Fui à Livraria Cultura e só me diziam: "Que tal fazer uma encomenda?"

Não suporto pedidos que demoram a chegar. Avon e Natura são minhas únicas exceções.

Decidi voltar pra casa e garimpar textos na internet para confortar a sede de ler.

E eu sou do tipo de pessoa que quando gosto, compro mesmo. Não suporto ler textos longos pela internet. Não sou da turma que ainda compra vinil e faz discursos moralistas sobre isso, mas sou daquelas que não assinam revistas pelo puro prazer de ir à banca de jornal comprá-las todo mês. Gosto dos livros que cabem no bolso, das biografias, de fotografias e de lápis de cor. E assim sou no amor também. Não gosto que ninguém me apresente ninguém com aquele discurso "Meu amigo quer te conhecer".

Gosto de observar, achar detalhes que ninguém percebe, como reparar na voz rouca de fumante, no perfume amadeirado, das unhas roídas, da camiseta com furo de cupim, do cabelo não arrumado...e Caio descrevia coisas assim. Não acho ruim publicações pela internet. Não acredito que isso prejudique a venda de livros.

Existem pessoas como eu, que atavés dessas pesquisas, correm atrás desses livros e recomendam que façam o mesmo. A publicidade "Boca a Boca" parece mais real que os boletos pagos para tal.

Adoro indicações.
Adoro biografias.
Adoro acidez.

Consegui PRECIOSIDADES de Caio Fernando Abreu:

"Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê.E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio..."

"É dificil aprisionar os que tem asas"

"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar."

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também."

"Não se perca. Não se esqueça. Viver bem é a melhor vingança"



Essa frase tem "um quê" da personagem Sofia de Alan Pauls.

Talvez Caio me entenderia tão bem.







6 de dez de 2009

A Pérola.

Texto da série "Minha vidinha démodé":

Título: Seu Ismael e suas histórias.

"Todos os dias o pai antes de deitar, ia ao quarto da filha e lhe contava alguma história. E não era um ritual para fazê-la dormir e sim passar ensinamentos de forma lúdica e bonita. A menina ficava ansiosa para saber qual seria a mais nova que o pai lhe contaria. E ela aprendeu a origem da pérola.


- Quando eu te digo que não posso te dar tudo, é porque eu quero o teu melhor. É preciso entender que nem sempre as coisas são como a gente quer.
- Ok.
- Abra sua gaveta e pegue aquela caixinha.
A menina correu para buscar a tal caixa e antes mesmo que pai lhe pedisse para abrir, assim fez. Seus olhos brilharam ao ver o lindo par de brincos de pérolas que lá estavam.
- São lindos né? Essas bolinhas não nasceram assim sabia?
- Como não?
- Assim como você fica brava quando não te dou atenção, ou quando sua mãe te pede algo, a Dona Ostra também fica assim quando um grão de areia decide morar dentro dela. Mas ela, com aquela paciência que te peço, decide cuidar do grão e dele fazer algo tão bonito como esses brincos que te dei. A Dona Ostra protege o grão e o deixa cada vez mais bonito. E assim é como você. Cada cuidado nosso te faz cada vez melhor e mais bonita como pessoa. O que hoje parece chato e irritante como o grão de areia é dentro da Dona Ostra, mais pra frente será algo bonito e precioso.
- O senhor vai cuidar de mim assim como a Dona Ostra?
- Sim, pra sempre. Mesmo quando você não estiver tão pertinho assim junto de mim."

P.S.: Texto dedicado ao meu pai...assim como este acima...contava histórias fascinantes.