Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

9 de jan de 2009

Miscelânea de idéias.


To ficando com medo. Scraps, e-mails e sms´s de amigos dizendo que quando assistem a série Maysa lembram de mim. Espero que os vestidos bufantes e o make carregado sejam os motivos.

Bem...aguardo roendo as unhas as respostas dessas pessoas (pessoalmente, rs).

Mas este não é o assunto de hoje.
Pode até parecer que já tenha escrito coisa parecida, mas a intenção mudou.
Isso faz parte da série “Minha vidinha démodé” - Texto longo. Aviso dado, creio que em 5 minutos você leia tudo baby.



Tem vezes que a solidão é minha melhor amiga.
Ela faz com que eu pare para refletir no que deixo o acaso cuidar.
Ela faz com que eu tenha a ansiedade em ler, comer, beber, cantar...ela mostra um lado meu que em público desaparece e eu mesma desconheço.
Ela acolhe todo o sofrimento e modifica minhas idéias das mais simples até as mais insanas.
Como é bom ficar só quando lá fora as coisas estão um caos.
Pode ser que o caos seja eu que o faça existir, mas quando estou só, ele passa a ser um mero figurante “beira-de-estrada”.
E a solidão vira uma tentação quando sinto que sou uma péssima cia. seja para quem for.
Até para meu filho-felino.
Os sinais são sempre os mesmos: falta de assunto, mania de limpeza, ouvindo a mesma música a semana inteira ou não conseguir ler uma página seja de livro ou revista com atenção (reler é um tédio).

“A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca.”
Carlos Drummond de Andrade

Mas toda faceta tem seu outro lado.
Às vezes a solidão recolhe tudo aquilo que não quero ver, ouvir e muito menos sentir.
Sim, essa última palavra-verbo é a mais latejante que as demais.
Como um simples conta-gotas, tudo chega ao coração em um processo lento e entediante.
Mas o coração ao longo do tempo ganhou uma capacitável incrível em regenerar as mazelas que um dia ele sofreu.

“Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.”
Carlos Drummond de Andrade

Mas não é invencível, imbatível ou qualquer outra coisa que o torne imortal e imune a dor.
Apesar das histórias que ele carrega e o tempo jamais apaga, um bombardeio de sentimentos aflora este órgão-símbolo do mais nobre sentimento.


“Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas.(Na solidão de indivíduo desaprendi a linguagem com que homens se comunicam.)”
Carlos Drummond de Andrade


Percebe que o furacão passou não pelo caos e sim pelo vazio em locais que um dia já foram preenchidos.

E muitas vezes, começar de novo não é reinventar uma(s) história(s) e sim continuar a caminhada de onde parou. Adiante. Uma sequência como de uma película.


"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata...."



O roteiro ganha uma nova versão de última hora, um personagem deixa em ser o principal e passa a ser secundário, uma cena pronta deixa de existir por falta de critérios, uma luz que não funciona, um choro que não sai, um sorriso forçado perde a graça na ação, uma música tema ou um efeito que embeleza aquilo que aparentemente não tem jeito, um cenário que não existe, um figurino que escandaliza uma nação, diálogos que são recordados e repassados para as novas gerações, um erro de continuidade, um final sem explicações ou um completo conjunto de preciosidades do começo ao fim.

Um pôster na parede. Com o mais belo sorriso. E um rabisco que não lembro quando e que significado teve no dia em que foi feito.

Estava certo quando pensou e não hesitou ao escrever:


“As coisas tangíveis tornam-se insensíveis à palma da mão.

Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”
Carlos Drummond de Andrade



Carlos não faz idéia da mais nova pseudo-tatuagem-feita-com-caneta de DVD ser a frase dele:
"A vida não chega a ser breve."
Carlos Drummond de Andrade