Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

7 de abr de 2009

De onde eu vim...


Fomos 3 por muitos anos.
Eu era a caçula.
Ela era a mais velha.
Continua sendo, rs.
Sempre séria, impaciente com as brincadeiras minhas e do Gui.
Sorria e falava pouco. Aliás isso não mudou muito.
Mas sempre foi um porto seguro.
Aprendi Matemática com ela.
Em tudo na minha vida procuro não errar. Não sei me perdoar.
E ela sempre esteve presente na hora que desistir era minha primeira opção.
Nunca fez discursos ou conselhos.
Apenas me deu o caminho como opção.
A estrada que antes parecia perigosa, agora não é mais.
Nunca tinha tirado uma nota menor que 8.
Um belo dia eu desisti da Matemática.
Na prova seguinte tirei 1 e com um recado gigante da professora Telma:
“Eu sei que você pode ser melhor”
Minha mãe tinha como lema na minha infância: “A única responsabilidade que vocês tem é estudar. Que façam com dedicação”
Levei a pior bronca.
Daquele modo tímido, pegou meus livros e ensinou os segredos chatos da fórmula de Bhaskara.
Dedicou seu tempo precioso das brincadeiras para ensinar equações.
Fiz questão em aprender e não decorar.
Na prova seguinte tirei 10 e a Professora Telma deixou o recado:
“Querer é poder”.
Você ficou feliz e mamãe também. Eu fiquei por ver tamanha satisfação.
Mas nunca gostei de matemática.
Mas mesmo assim não tirei menos que 9 nas provas seguintes.

Há muito tempo procurei tirar 10 em tudo que fiz.
Claro que não foi simples assim.

Hoje senti falta daquele caminho que ela me deu um dia.
Um lugar seguro e menos perigoso.
A nota 10 não foi por gostar da fórmula de Bhaskara. Foi para fazê-la sorrir.
Por isso a quero tão perto. Porque mesmo as coisas que deixo de gostar, eu passo a fazer com capricho.

Nem sempre a felicidade está nas coisas que gostamos. Por isso a dedicação tem que ser constante.

Lilian, a equação é essa:
Semana passada eu o deixei triste por dizer que não acredito em mim e no que eu faço, mas procuro fazer o melhor por mim e para ele.
Achei que entenderia assim como você fez no dia em que me ensinou Bhaskara.
Mas ele não entende desse modo. Ele não me enxerga como você.
E isso é triste.



Carta para Lilian - irmã, arquiteta, musicista, mãe de 2 felinas (Frida e Pankeka), casada e feliz.