Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

17 de ago de 2009

Ciranda da Vida

Em casa tudo foi sempre assim.
Sempre muita gente.
Hoje os tempos são outros.
As crianças que lotavam o quintal...cresceram.
Os adultos fizeram novos amigos e prioridades mudaram.
Alguns permaneceram. Nisso nada mudou.

Lembro dos meus 9 anos e festas nos finais de semana (amigos dos meus pais).
Lembro do som (Chico Buarque, Paul Simon, Dire Straits, Beth Carvalho...),
Lembro do cheiro (pão caseiro que meu pai fazia, cheiro de café, cerveja, churrasco...)
Lembro quando precisei ficar fora de SP por 2 anos.
Tinha 7 anos.
Não fazia idéia pq ter q ficar longe dos meus irmãos, dos meus bichos e dos meus brinquedos.
Lembro dela falando:
- Lá as crianças não têm tantos brinquedos. Leve apenas alguns. Um dia você vai entender.

Cheguei lá e realmente um mundo novo surgiu.
Sotaque, comida, música, pessoas e comportamento.
Foi lá que aprendi a andar descalça (e ter trauma com isso).
Aprendi a respeitar outra religião que até então tinha medo.
Brincava de boneca com uma menina chamada Carina.
Ela era loira, magra, com muitas Barbies. Os pais dela não a deixavam sair. Então, eu brincava do lado de fora do portão. Eu tinha uma imitação falsa da Barbie e dizia que tinha muitas (originais) na minha verdadeira casa, mas ela não acreditava.
Lembro que as tardes eram longas com ela. Eu falava dos meus brinquedos, do meu quarto, dos meus bichos...mas creio que ela não acreditasse em mim. Afinal, eu tinha uma única boneca e ainda por cima: falsa.

Lembro que tomava refrigerante no saquinho plástico e canudo.


Senti pela primeira vez a dor da perda de pessoas importantes e como o amor é algo admirável.
Minha vó faleceu quando eu tinha 7 anos. Foi por isso que saí de SP. Para minha mãe ajudá-la nos últimos momentos. Alguns meses depois, meu avô não agüentou a solidão e partiu. Foi aí que descobri o amor a dois.

Como alguém pode deixar de viver dessa forma?

Demorei muitos e muitos anos para entender essa escolha do meu avô.

Apesar dos 2 anos, os conheci muito pouco. Mas lembro das manias dele. Quando começava o Jornal Nacional não podia fazer barulho. Lembro do seu chinelo. Lembro da sua cadeira. Dela lembro mais. Minha avó era doce e quieta. Uma voz quase inaudível. Quando vejo a atriz Laura Cardoso não consigo evitar as comparações.

Só lembrei-me disso hoje quando abri um pacote de bolacha. Antes de viajar, tudo em casa era dividido. Se eu fosse abrir uma caixa de bombom, dividia por 3 (eu, Gui e Li). Tudo era assim. Ninguém saia perdendo. Quando um não queria, dividia sua parte com os outros.

Quando me afastei deles, aprendi a comer um pacote sozinha. Mas o paradigma jamais deixou de existir. Lembrava de acordar mais cedo para tomar banho, para dar tempo de todo mundo tomar e não se atrasar.

Isso é resultado da educação que tivemos. Não pensar como único ser.
E ao abrir o pacote de bolacha (saindo do trabalho), não tinha ninguém na rua para dividir.

Bateu a lembrança de como é ruim não ter ninguém para dividir a vida, mesmo que seja um pacote de bolacha.

Daí lembrei do meu avô que abriu mão de viver pois não tinha sua amada ao lado.

Dividir a vida é algo muito precioso. É preciso doar um pouco de si, pegar um pouco do outro, pensar antes de agir, reinventar o amor quando o conflito bobo acontece, respirar quando bate a euforia, cuidar das coisas mais simples e construir um amor que preenche, para que um dia que ele seja falta, vire saudades e se transforme em uma recordação boa.


Levo um pouco desse amor comigo. Carrego a lembrança de um amor duradouro.

As coisas boas nem sempre voltam como antes, mas se renovam a todo instante.

Monarco disse: “O dia se renova todo dia
Eu envelheço cada dia e cada mês
O mundo passa por mim todos os dias
Enquanto eu passo pelo mundo uma vez”

Mistureba boa.

Tudo que tenho escutado essa semana (músicas encantadoras):

Um pouco de Paulinho Moska:

"Meu amor
Vamos falar sobre o passado depois
Porque o futuro está esperando
Por nós dois.
Por favor
Deixe meu último pedido pra trás
E não volte pra ele nunca
Nunca mais.
Porque ao longo desses meses
Que eu estive sem você
Eu fiz de tudo pra tentar te esquecer"

...

"Porque visto as frases que você me deu
Mas elas não me servem mais
O que aconteceu com seu futuro que era o meu?
Agora não adianta mais me responder(nem venha me dizer)
Quem passou do ponto onde era longe
E de que jeito era o certo
Porque minha dor sempre se esconde
Mas nunca sai de perto
O que aconteceu com meu futuro que era o seu?"

...

"Não preciso de você pra descobrir
Que a estrada infinita que tenho que seguir
Não leva a nada"

...

"O amor que eu te tenho é um afeto tão novo
Que não deveria se chamar amor
De tão irreconhecível, tão desconhecido
Que não deveria se chamar amor
Poderia se chamar nuvem
Pois muda de formato a cada instante
Poderia se chamar tempo
Porque parece um filme que nunca assisti antes"



Herbert estava certo:

"Aonde está o que você quer
Pra me transformar no que te agrada
No que me faça ver
Quais são as cores e as coisas pra te prender"

"Será que você ainda pensa em mim?
Será que você ainda pensa?"

Não é de sua autoria, mas Caetano salva:

"Tudo de bom que você me fizer
Faz minha rima ficar mais rara
O que você faz me ajuda a cantar
Põe um sorriso na minha cara...
Meu amor, você me dá sorte
Meu amor!Você me dá sorte meu amor!
Você me dá sorte na vida!..."

Lenine sabe das coisas (eu que fujo de qualquer gaiola):

"Se você quer me seguir
Não é seguro
Você não quer me trancar
Num quarto escuro
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só...
Você não vai me acertar
À queima-roupa
Vem cá, me deixa fugir
Me beija a boca
Às vezes parece até
Que a gente deu um nó
Hoje eu quero sair só..."

Indicações

Não estou saindo de casa a não ser que seja para trabalhar:

Mas recomendo.

Dona Ivone Lara no Boteco do Seu Zé (RUA MOURATO COELHO 1144 - VILA MADALENA ) dia 19/08

Luiza Possi no dia 29/08 Hsbc Brasil


Beirut no Via Funchal em setembro (já está no site) - em homenagem = Camila Marques, Cauto e Mariana Correia.


Quem souber de algum show em Sampa do Paulinho Moska...please, comunicar.