Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

10 de dez de 2009

Conto.

Da série "Minha vidinha démodé"

"Mulher é uma incógnita. Encana geral com coisas que homem nenhum no mundo talvez faça ideia de que bololô foi criar.
E ela ficou bem brava ao saber que ele chama a atual pelo mesmo apelido que a chamava. Pior foi para a Zefinha, que teve que engolir a seco o convite de casamento estampado com a frase que ela tatuou na pele em homenagem até então para o namorado. Lá estavam os dizeres: "Por um segundo mais feliz". Sim, ele sem dó e piedade usou a frase no seu grande dia.

Claudinha teve que ler o scrap "Saudades da sua mordida" e ver que ele mandava para todas as amigas. Clarice não sabia o que fazer para esquecer tal decepção: seu ex escolheu o nome da filha Paula, o mesmo que ambos decidiram quando começaram a namorar e planejar filhos. Sim, ele teve. Não com ela. Mas teve e seguiu a promessa do nome. Clarice deveria ter feito um contrato com requisitos mais específicos. Não o fez.

E Alice que precisou de muitos calmantes para aceitar o convite de madrinha do filho de ex marido. Seria de bom tom negar? Não daria sorte?

Pois é...só quem viver...verá que do outro lado dói a dor do amor, mesmo quando esse já não seja dividido em partes iguais."

Apaixonante.

Olha, tenho 27 anos...e não encontrei nenhum homem no mundo que seja mais bonito, inteligente, ácido, engraçado e que escreva tão bem como o Marcelo Rubens Paiva.

O destino fez bem em não nos unir.

Eu só ia querer ficar com ele e mais nada.

Recomendo para entender o motivo:

http://blog.estadao.com.br/blog/marcelorubenspaiva/

E os livros também, é claro!!!

Perfeições que a vida nos dá.

Lá estava eu semana passada na Livraria Nobel a procura do novo libro sobre Clarice.
Não o encontrei e o vendedor insistia em vender alguma obra dela. Não fui em busca disso e segui com a meta.

Eis que quis encontrar o livro Cartas a Caio F. e também não achei. Fui à Livraria Cultura e só me diziam: "Que tal fazer uma encomenda?"

Não suporto pedidos que demoram a chegar. Avon e Natura são minhas únicas exceções.

Decidi voltar pra casa e garimpar textos na internet para confortar a sede de ler.

E eu sou do tipo de pessoa que quando gosto, compro mesmo. Não suporto ler textos longos pela internet. Não sou da turma que ainda compra vinil e faz discursos moralistas sobre isso, mas sou daquelas que não assinam revistas pelo puro prazer de ir à banca de jornal comprá-las todo mês. Gosto dos livros que cabem no bolso, das biografias, de fotografias e de lápis de cor. E assim sou no amor também. Não gosto que ninguém me apresente ninguém com aquele discurso "Meu amigo quer te conhecer".

Gosto de observar, achar detalhes que ninguém percebe, como reparar na voz rouca de fumante, no perfume amadeirado, das unhas roídas, da camiseta com furo de cupim, do cabelo não arrumado...e Caio descrevia coisas assim. Não acho ruim publicações pela internet. Não acredito que isso prejudique a venda de livros.

Existem pessoas como eu, que atavés dessas pesquisas, correm atrás desses livros e recomendam que façam o mesmo. A publicidade "Boca a Boca" parece mais real que os boletos pagos para tal.

Adoro indicações.
Adoro biografias.
Adoro acidez.

Consegui PRECIOSIDADES de Caio Fernando Abreu:

"Tenho medo de, dia após dia, cada vez mais não estar no que você vê.E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano e a minha ausência não terá nenhuma importância. Serei apenas memória, alívio..."

"É dificil aprisionar os que tem asas"

"Tenho tentado aprender a ser humilde. A engolir o nãos que a vida te enfia goela abaixo. A lamber o chão dos palácios. A me sentir desprezado-como-um-cão, e tudo bem, acordar, escovar os dentes, tomar café e continuar."

"Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar de remar também."

"Não se perca. Não se esqueça. Viver bem é a melhor vingança"



Essa frase tem "um quê" da personagem Sofia de Alan Pauls.

Talvez Caio me entenderia tão bem.