Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

18 de dez de 2009

COISAS BUROCRÁTICAS.

Lá estava na sala de espera aguardando ser atendida.
Ouço meu nome e não encontro o dono da voz.
Caminho e chego diante da primeira sala do corredor. A porta estava aberta. Pensei: "Esse médico folgado nem pra levantar essa bunda velha e vir me buscar"
Dito e feito.
Lá estava aquele homem, com uma pele sem vida, jaleco branco de 10 anos, com aquele óculos de tartaruga com lentes verdes. E dentes cinzas. Nem me olhou direito e pediu para que sentasse.
Pediu nome completo, data de nascimento.
Daí começaram aquelas perguntas cretinas que não levam a lugar nenhum pois quem deveria me dizer era ele e não eu.

- Seu nome completo por favor.
- Carolina Azevedo.
- Idade?
- 27 anos.
- Altura?
Pensei e imaginei "pq esse filha da puta não usa aquela máquina ali encostada e mede?"- respirei fundo e disse:
- Gostaria em ter 1.70.
- Peso?
Pensei e imaginei "pq esse filha da puta não usa aquela máquina ali encostada e pesa esse corpo gordo?"- respirei fundo e disse:
- Talvez uns 80.
O sujeito, levantou aquele olhar cansado e estagnado e disse:
- Não, 80 você não tem mesmo.
Eu, apenas sorri com aquele sorriso amarelo e disse:
- Há mais de meses não acho uma balança que não cobre 50 centavos para isso.
Ele, percebendo meu stress (pudera: foram 45 minutos de espera para uma fila de 3 pessoas) logo sorriu.
- Vamos para as perguntinhas básicas: Você já sofreu alguma fratura?
- Não.
- Já sofreu algum acidente de trabalho?
- Não (stress é considerado?....pensei)
- Já teve alguém na família com hepatite, diabetes, câncer?
- Sim.
- Toma algum tipo de medicamento?
- Não.
- Tem algum tipo de alergia?
- Sim. Paçoca.
- Você fuma?
- Não.
- Você bebe?

Silêncio de 5 segundos.

- Sim.
- Mensal, quinzenal, semanalmente?

Silêncio de 5 segundos.

- Uns 3 dias por semana.

Silêncio de 10 segundos.

- Senta ali na maca.
Pegou o medidor de pressão, um palito de sorvete.
Não houve diálogo.
Nem queria.

Entregou um formulário e pediu para fazer o exame oficial.

Saí de lá com a seguinte sensação:

Na verdade, eu ali ou eu em um divã daria na mesma. A diferença é que dá a impressão de que fui curada.
Por mim mesma.