Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

28 de set de 2010

Escolhendo feijões.

Ela sempre foi doce. Nunca vi sem sorriso, cabelo bagunçado ou falando mal de alguém.
Ela foi uma grande cozinheira. E contadora de histórias.
Mas o tempo tirou dela parte da sua memória, tirou seu marido.
Mas ele não teve força para tirar suas principais características já citadas neste post.

Ela tem dores, vontade absurda em falar, tem dificuldades para cozinhar e lembrar das pessoas.

A lembrança mais bonita que tenho dela é de ajudá-la escolher feijões em dias banais. Ela ficava perto dos netos e juntos escolhiam somentes os mais belos feijões.

Hoje ela passa o dia olhando as pessoas pelo vão das grades do portão trancado. Uma maneira segura em não perdê-la pelas ruas infinitas de São Paulo.

Dona Teresa continua tão encantadora como antes. A diferença está na minha idade. Quanto mais velha eu fico, mais histórias novas dela eu tenho para guardar e lembrar.

Ela é a minha Dona Canô. Um orgulho que ultrapassa gerações.

Indecisão

Sempre achei que seria professora. Um dia acordei pensando que a vida no mercado publicitário teria um cantinho para mim. Quis ser balconista da loja do meu pai, ser cozinheira da Unilever que nem minha amiga Aninha, ser veterinária para cuidar só dos gatos, ser dona de casa, ser merendeira, ser perua, ser costureira, ser manicure e cabeleireira, ser telefonista, gerente de salão de beleza, ser a senhora da cadeira de balanço da rua Regente Feijó (de Itu), ser locutora da rádio MIX (até ganhei uma amiga que fazia locução por lá), secretária de multinacional, integrante de uma fraternidade israelense, roteirista e o mais recente foi ser colunista da revista LICIA.

Desses sonhos todos realizei pouquíssimos e me diverti muito ao longo da caminhada.
Teve um tempo que tinha vergonha de sonhar. Achava tudo bobagem mas não me tornei pessimista. Apenas ria daquilo que acreditava em partes.

Hoje os sonhos ficaram reduzidos porem com mais vigor. Coloquei tudo no baú e decidi olhar com mais carinho para outras coisas.

O menos tem sido mais.

O mais faz parte de um projeto que ainda não quero.

Simbora pela estrada.

17 de set de 2010

Quando a gira girou...só você ficou...

Estranho olhar para trás e perceber que as velhas dores suportaram o tempo e tiveram um fim.
O futuro parece tão ameaçador quando achamos que não merecíamos sofrer seja por qual motivo.
Já dizia Renato Russo: "O futuro não é mais como era antigamente"

Com o tempo descobrimos que a maneira que lidamos com as perdas é a melhor forma de continuar a caminhada. E essa tal maneira não tem receita. Temm que viver para saber. E a vida sempre dá um jeitinho de nos mostrar como somos capazes. Todos são fortes mas talvez alguns não saibam onde encontrar. E mesmo nesses dias que a retrospectiva acontece a cada 1 minuto e bate uma saudade daquele tio que não voltará mais...de repente não mais que de repente (frase de Cauto) você encontra uma felicidade dessas de querer rever como se fosse foto. Dessas de querer mostrar para o mundo e de poder querer mais. E essa alegria tem nome e sobrenome. Para quem me conhece de pertinho ou até mesmo de longe talvez possa adivinhar quem seja sem grandes dificuldades.

E com ele aprendi que lidar com a dor é saber respeitá-la sem deixar de viver. Por que quem vai embora normalmente nunca quer o mal de quem ficou.

"O vento agitou as ondas do mar" (S. Meriti) e acrescento: trouxe as mais belas conchas que Deus pode mandar.