Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

28 de set de 2010

Escolhendo feijões.

Ela sempre foi doce. Nunca vi sem sorriso, cabelo bagunçado ou falando mal de alguém.
Ela foi uma grande cozinheira. E contadora de histórias.
Mas o tempo tirou dela parte da sua memória, tirou seu marido.
Mas ele não teve força para tirar suas principais características já citadas neste post.

Ela tem dores, vontade absurda em falar, tem dificuldades para cozinhar e lembrar das pessoas.

A lembrança mais bonita que tenho dela é de ajudá-la escolher feijões em dias banais. Ela ficava perto dos netos e juntos escolhiam somentes os mais belos feijões.

Hoje ela passa o dia olhando as pessoas pelo vão das grades do portão trancado. Uma maneira segura em não perdê-la pelas ruas infinitas de São Paulo.

Dona Teresa continua tão encantadora como antes. A diferença está na minha idade. Quanto mais velha eu fico, mais histórias novas dela eu tenho para guardar e lembrar.

Ela é a minha Dona Canô. Um orgulho que ultrapassa gerações.

Um comentário: