Sinta-se em casa!

Entre e deixe a porta aberta.
Aguenta firme que vou ali pegar uma breja.

19 de mai de 2010

O conto também faz parte da minisérie...

"Esperar não era seu forte.
A espera na fila do banco,
do dentista,
do oftalmologista,
da catraca do transporte público,
do chá esquentar,
do pagamento cair na conta bancária,
do esmalte secar,
do cabelo tingir,
da internet funcionar,
do barulho sumir,
da carona chegar,
da onda diminuir,
da chuva passar,
da atendente atender,
da ideia surgir.


E no fim do dia esperava um carinho que veio tão de mansinho que nem fez a espera acabar"

Não gosto de expectativa mas...

Hoje percebi através de algumas mensagens onlines que algumas pessoas (ao meu redor, a maioria) gostam dos meus textos mais melancólicos. Mas que falam sobre o amor. Confesso que hoje em dia (graças a Deus e tudo que preenche a minha fé)é mais difícil escrever dessa forma pois a vida deu uma puta e incrível guinada.

Adoraria não frustar você caro leitor. Peço desculpas a quem deixei frustado. Não era a intenção e continua não sendo.

Para encerrar essa conversa, coloco a mais nova canção favorita que ouço todos os dias:


Título:
"Sobre o Amor e seu Trabalho Silencioso"

"Vai pegar feito bocejo
Ou que só o sentido vê
Instigado num lampejo
Despertado pelo beijo
Que o baile parou pra ver

Da marchinha fez silêncio
Num silêncio escutei
Uma disritmia em meu coração
Que se instalou de vez"

Da cantora CÉU.

(Para Salzi)

Lava uma mão, lava a outra...

Mais um conto da minissérie "Minha vidinha démodé"

Título: "Dos fantasmas da minha voz"

"O dia começou com uma chuva que insistia em ficar. Mas ela esperou às 10 am para partir. Daí, eu decidi de fato levantar da cama, tomar banho e pegar qualquer roupa, qualquer meia, qualquer tênis e sequer pentear o cabelo fui capaz.

Não estava com sono e nem preguiça. Era uma sensação de rotina que ganhou corpo e forma ao longo da manhã. Descobri que não tenho o espírito aventureiro, nem ao menos gosto de viajar ou praticar esportes radicais (muito menos os mais bobos) mas que não suporto rotinas. E quando estou só isso é totalmente inevitável. Não sei os sintomas direito mas o mais engraçado é que sei onde está a cura.

Acabo por definir que "desaprendi" a ficar só.
Sou um tédio sozinha. Sou o verdadeiro "mais do mesmo" quando tenho que decidir as coisas e não ter ninguém para ajudar nas decisões, por mais bobas que sejam como "você quer leite gelado ou quente?", "você quer pão com ou sem manteiga?"...

E mesmo que eu faça essas perguntas todos os dias do ano, isso não é rotina quando estou acompanhada. Mas quando estou só, o silêncio é meu pior inimigo.

E o pior da manhã foi ter que escutar na íntegra, na lotação apertada de gente molhada e revoltada aquela cantora de voz fininha dizendo (alguns trechos):

"Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz

...

Não me deixe só
Tenho desejos maiores
Eu quero beijos intermináveis

....

Não me deixe só
Que o meu destino é raro
Eu não preciso que seja caro
Quero gosto sincero do amor

Fique mais, que eu gostei de ter você
Não vou mais querer ninguém
Agora que sei quem me faz bem
"